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Rede Meridional / Hospital Meridional Cariacica realiza transplante de medula óssea

Hospital Meridional Cariacica realiza transplante de medula óssea

Serviço de alta complexidade amplia acesso ao tratamento no Espírito Santo e evita
deslocamento de pacientes para outros estados
.

O Hospital Meridional Cariacica passou a oferecer o transplante de medula óssea (TMO),
ampliando o acesso a um dos tratamentos mais complexos da oncologia no Espírito Santo.
A iniciativa permite que pacientes do estado realizem o procedimento sem a necessidade
de deslocamento para outros centros do país.

A unidade está habilitada para realizar todos os tipos de transplante: autólogo, quando as
células são do próprio paciente; alogênico relacionado, com doador familiar; e alogênico
não relacionado, por meio de doadores cadastrados no Registro Nacional de Doadores de
Medula Óssea (Redome).

Segundo o coordenador do serviço de hematologia da Rede Meridional, Gustavo Silveira, o
transplante é indicado para pacientes com doenças como leucemias, linfomas, mieloma
múltiplo e síndromes mielodisplásicas. “O hematologista atua no tratamento dos cânceres
do sangue e do sistema linfático, compondo a equipe de oncologia”, explica.

Para o hematologista Philip Bachour, especialista em transplante de medula óssea e
coordenador do serviço no hospital, a implantação representa um avanço importante para o
estado. “Manter o paciente próximo da família durante o tratamento também é uma forma
de humanizar o cuidado, reduzindo impactos sociais e psicológicos”, destaca.

A estrutura conta com dez leitos equipados com sistema de filtragem de ar com pressão
positiva e filtro HEPA, além de controle individualizado de temperatura e umidade, medidas
que reduzem o risco de infecções. Segundo o diretor do hospital, Gustavo Peixoto, o serviço
foi planejado para oferecer assistência completa. “O hospital conta, ainda, com uma equipe
de especialistas em transplantes de medula óssea formada por hematologistas,
enfermeiros, nutricionistas, psicólogos, fisioterapeutas e odontologistas à disposição dos
pacientes”, reforça.

Exemplo na prática

Entre os casos já atendidos está o de uma paciente de 58 anos diagnosticada com mieloma
múltiplo, que iniciou tratamento em maio de 2025. Após alcançar resposta completa com
quimioterapia, ela foi submetida ao transplante autólogo de medula óssea como etapa de
consolidação do tratamento, em abril de 2026.

De acordo com a hematologista Rayana Bomfim, a paciente foi tratada com o protocolo
VRD — combinação de lenalidomida, bortezomibe e dexametasona. “Mesmo com resposta
completa, é preconizado realizar o transplante autólogo para aumentar o tempo de remissão
e aumentar a profundidade da resposta ao tratamento”, explica.

O mieloma múltiplo é um câncer que afeta a medula óssea e compromete a produção das
células do sangue, podendo causar anemia, dores ósseas, lesões, insuficiência renal e
maior risco de infecções.

No transplante autólogo, as células-tronco são da própria paciente. O processo envolve a
coleta dessas células por aférese, seguida de quimioterapia intensiva para eliminar células
doentes remanescentes e, posteriormente, a reinfusão do material para reconstrução da
medula óssea.

“O transplante não é, na maioria dos casos, curativo, mas é essencial para aprofundar a
resposta ao tratamento, prolongar a remissão e melhorar a sobrevida”, afirma Bachour.

Doação ainda é desafio

Apesar dos avanços na oferta do tratamento, a disponibilidade de doadores ainda é um
desafio no Brasil. O país possui cerca de 4 milhões de cadastrados, sendo o terceiro maior
banco de doadores do mundo, mas especialistas reforçam a necessidade de ampliar esse
número.

“A doação de medula óssea é segura e pode ser feita por aférese após estímulo
medicamentoso (na maioria dos casos) ou por coleta direta no osso do quadril. Em poucas
semanas, a medula do doador se recompõe naturalmente.”